SÉRIE SAINDO DA MATRIX: Introdução

Eu comecei uma série de posts aqui no blog usando o universo Matrix para debater a minha visão sobre o sistema em que vivemos.

As páginas da série podem ser acessadas pelo menu ou por esta imagem no lado direito do blog. 

Eu escrevi a introdução da série em que eu falo um pouco sobre a direção que eu vou seguir na série, pelo menos no inicio, e começo a falar um pouco sobre as minhas ideias.Nas próximas semanas eu vou publicar a parte 1 – O que é a Matrix.

Espero que gostem. Dúvidas, críticas, sugestões… fiquem à vontade para comentar.

ENEM e Liberdade de Expressão

O que vocês pensam da decisão judicial que eliminou o critério do ENEM de que as redações têm que se pautar pelo respeito aos direitos humanos? Será que era correto zerar uma redação por desrespeitar o que eles consideram como “o pensamento correto”?

Apesar de a maioria das redações desclassificadas defenderem coisas absurdas na minha opinião, e de o respeito aos direitos humanos ser fundamental para haver uma sociedade minimamente justa e livre, esses mesmos direitos humanos têm que incluir a liberdade de expressão irrestrita.

(clique para ampliar. Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2017-10-28/enem-redacao-direitos-humanos.html)

É como disse Voltaire Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Um dos direitos mais fundamentais para uma sociedade que se chama de livre é a liberdade de expressão. Qualquer coisa pode ser dita, qualquer absurdo pode ser defendido. Por exemplo alguém deveria ser proibido de defender o nazismo? Não! Se ele quiser andar com uma suástica no braço, falar Heil, Hitler e dizer que não houve holocausto é um direito dele! O que essa pessoa jamais pode fazer é realizar nenhum ato discriminatório contra um judeu, nem um tipo de agressão, ameaça, nem nada. Agora defender ideias não pode ser coibido.

Nesse ponto os EUA são muito mais avançados que o Brasil. Lá, segundo a 1ª Emenda da Constituição, você pode defender qualquer ideia. Tanto que existem os movimentos nazistas, a KKK, etc, todos perfeitamente legais. Esse link explica a 1ª Emenda resumidamente em relação a um caso específico. Para mais informações, Wikipedia. (Na página em inglês tem muito mais informações). Atualmente as restrições à liberdade de expressão nos EUA são muito poucas, graças à 1ª Emenda (parece aqui que eu pago pau pros americanos. Não é verdade, mas tem alguns casos, como na questão da liberdade de expressão, que lá é melhor sim).

Já no Brasil, “discursos de ódio” ou que “incitem à violência” podem ser censurados na justiça. Leiam este artigo, que explica muito bem a diferença entre os sistemas americano e brasileiro. Há casos ridículos, como um cara que foi processado por ter uma piscina com azuleijos formando a suástica (viram de helicóptero, daí a polícia foi na casa dele e apreendeu vários itens de apologia ao nazismo) e outro que foi preso por fabricar camisetas com a suástica. É ridículo isso! Se você quiser ter objetos de apologia ao nazismo, facismo, socialismo, anarquismo, ao PCC, whatever foda-se, é um direito seu. Principalmente na sua própria casa. Isso é uma tentativa do Estado controlar que ideias podem ou não ser veiculadas na sociedade, e isso é inaceitável num sistema que se chama de democrático (que não é democracia porra nenhuma! Isso é uma das maiores mentiras que inventaram).

Então, por mais que me doa concordar com uma ação impetrada pelo Escola sem Partido, eu sou obrigado a apoiar a iniciativa e aplaudir a decisão do juíz. Eu não sou bobo e sei que o objetivo do ESP ao entrar com essa ação é defender o projeto de educação deles, que é um projeto que busca criar uma educação de ideologia única, a da direita e dos conservadores. Porque a censura que eles combatem é só aquela que busca reprimir as manifestações contrárias aos Direitos Humanos. Mas a ação em si foi boa, mesmo que tenha sido feita pelos motivos errados. Toda forma de censura tem que acabar.

 

Ração para pobre

E aí, o que você acha de comer ração? É, ao invés de comer arroz, feijão, carne, salada, você come ração para se alimentar. Para quê comer comida se você pode satisfazer suas necessidades alimentares com uma ração nutritiva. Afinal de contas, seu cachorro come ração e não reclama né?

Essa é a ração humana do Dória. É só moer um monte de comida quase vencida, encher de química, e pronto: você tem essas bolinha nutritivas. Além disso, pobre não precisa comer comida mesmo. Pobre não tem hábito alimentar, como diz o Dória.

Essa comida deve ser tão nojenta que até o secretário do Dória fez cara de nojo ao comer. É claro que ele deve estar acostumado com alimentos frescos, orgânicos. Talvez para quem passa fome deve ser bom. Quando você está com fome, qualquer comida é boa. Mas será que é justo que o pobre tenha que comer esse lixo, quando temos condições de fornecer uma alimentação de verdade para ele?

É que pobre não precisa comer bem. Pobre só precisa não morrer de fome para continuar sendo uma engrenagenzinha do sistema. E quando ele tiver um problema de saúde lá na frente por causa dessa merda que ele está comendo, foda-se, pobre nasce todo dia: morre um, nasce outro. Nunca vai haver escassez de mão de obra. Enquanto isso, a classe média e a elite vai se alimentar muito bem.

Se você parar para pensar sempre foi assim. Desde a antiguidade, por exemplo, carne era comida para os ricos. Para o pobre era só pão. Ele só precisava se manter de pé para trabalhar, não precisava de proteína para se desenvolver adequadamente. O Dória, como bom representante da elite colonial que é, só está continuando a tradição.

Intervenção militar ou intervenção popular?

Vamos falar de intervenção militar, que está tão em voga hoje em dia. Muita gente, cansada da palhaçada dos políticos, de toda a corrupção, do caos que o país vive hoje, acha que se o exército tomasse o poder seria uma solução para colocar a “casa em ordem”. Geralmente essas pessoas ou são jovens e não viveram o período militar e são iludidas a acreditar que na época não havia uma ditadura, que quem se ferrava era só os “baderneiros de esquerda”, e que o país era muito melhor para se viver, que havia “ordem”, etc. Ou então são pessoas mais velhas de direita que descaradamente apoiam uma ditadura militar por apoiarem toda a barbaridade que foi cometida.

Vamos falar dos mais jovens. Essa defesa da ditadura militar vem atrelada a um crescimento do pensamento de direita entre a juventude. Essas pessoas, desiludidas com o governo do PT, que para elas representa o socialismo (não tem ideia do que é socialismo, pois se tivessem saberiam que o PT não tem nada a ver com ele), são facilmente cooptadas pelos novos grupos de direita que estão surgindo, com um apelo aos jovens (MBL, estou falando de você). Apesar de o PT realmente ter decepcionado em muitos pontos, foi graças a ele que tivemos o fim da miséria extrema no Brasil (eu estou falando de passar fome, não de não ter acesso a algum produto de consumo), a ascenção de uma nova classe média, que agora pode fazer faculdade, agora anda de avião, tudo graças ao governo do PT.

Isso enfureceu a antiga classe média, que guarda no Brasil uma forte herança colonial, que tem horror que o pobre ocupe os mesmos espaços que ela. Daí impulsionar esses novos movimentos da “direita liberal”.

O povo tem que abandonar essa noção que as forças armadas são instituições incorruptíveis, e que só pensam no interesse nacional. Havia sim corrupção (http://esquerdadiario.com.br/10-escandalos-de-corrupcao-da-ditadura-militar-abafados-pelas-Forcas-Armadas), mas por causa da censura a maioria dos casos não chegava a conhecimento do público. Os grupos no poder também não estavam ali defendendo os interesses nacionais (http://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-a-ditadura-militar-nunca-teve-nada-a-ver-com-a-defesa-dos-interesses-nacionais).

O que ocorreria no caso de uma intervenção militar? Bem, vamos ver o contexto em que o Gen. Mourão falou da possibilidade de intervenção (https://www.poder360.com.br/brasil/em-evento-da-maconaria-general-do-exercito-propoe-intervencao-militar/). Isso mesmo, num evento da maçonaria! (esse link faz uma análise interessante sobre o caso: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/09/o-general-mourao-e-maconaria-no-brasil.html) Além da maçonaria ser uma organização super conservadora, ela sempre busca interferir politicamente, sendo que vários grandes nomes da política são maçons. Isso para não falar da ligação entre maçonaria e os Illuminatti e a Nova Ordem Mundial!

Se houvesse uma intervenção militar, provavelmente haveria a instalação de um governo totalmente pró-elite e defensor dos interesses do capital internacional. Esqueçam a ilusão de que os militares criariam um país soberano. Não, nós seríamos cada vez mais as putas dos americanos. E o povo iria ser cada vez mais explorado, sem direito a aposentadoria, sem direitos trabalhistas, benefícios sociais, nada. Você vai trabalhar para sustentar a elite até morrer. E ai de você se reclamar! Vai parar num porão do DOI-CODI.

O que é necessário é uma intervenção popular. O povo se organizar e tomar o poder em suas mãos. Expulsar toda essa corja do poder e fundar uma república que trabalhe em defesa dos interesses da massa trabalhadora. Só assim vamos ter um país livre, soberano e justo!

Viva Che!

Segunda-feira dia 9 fez 50 anos que o grande Che Guevara foi assassinado na Bolívia. Um dos maiores herois da história moderna encontrou seu fim fuzilado por soldados bolivianos a mando da CIA.

Devemos sempre lembrar desse homem que abandonou sua vida de classe média na Argentina e partiu para lutar em defesa da criação de um mundo mais justo e igualitário.

VIDA DE CHE

Nasceu numa família de boas condições sociais. Desde a infância sofreu com a asma e, por recomendação médica, sua família mudou-se para uma região de campo, próxima a cidade de Córdoba (região central da Argentina), que possuía o ar de melhor qualidade.

Desde a adolescência foi incentivado pelos pais a ler livros da biblioteca particular da família. Foi nesta fase que entrou em contato com a literatura socialista (Marx, Engels e Lênin).

Como o negócio da família estava indo mal, resolveu trabalhar ainda com 14 anos de idade. Sem largar os estudos, conseguiu um emprego numa Câmara próxima a cidade de Córdoba.

Em 1946, a família resolveu mudar para a cidade de Bogotá (Colômbia) e Che Guevara começou a cursar Medicina na Universidade. Nesta mesma época, conseguiu um trabalho numa tipografia. Fazia também trabalho voluntário numa instituição de pesquisas sexuais.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, começaram os movimentos estudantis de protesto contra o governo populista argentino de Domingo Perón. Guevara participou destes protestos.

Em 1951, na companhia do amigo Alberto Granado, deu início a uma viagem de motocicleta para conhecer a situação política, social e econômica da América Latina. Visitou várias regiões carentes como, por exemplo, minas de cobre, povoados indígenas e leprosários. Ficou impressionado com a miséria e as péssimas condições de vida das camadas mais pobres da sociedade.

No ano de 1953, formou-se médico e retornou para a Argentina. Porém, passou a dedicar-se ao mundo da política. Neste mesmo ano, fez uma nova viagem pela Bolívia, Peru, Panamá, Colômbia, Equador, Costa Rica, El Salvador e Guatemala.

Após a viagem, conheceu Hilda Gadea, e com ela, teve a primeira filha, Hildita.

Entrada na guerrilha 

Em 1954, conheceu, no México, Raúl Castro e logo depois o irmão Fidel Castro. Entrou para o grupo revolucionário de Castro, que se instalou na região de Sierra Maestra, em 1957. Pretendiam derrubar o governo de Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos, e implantar o socialismo na ilha.

Após a vitória dos revolucionários, em 1959 e a implantação do socialismo em Cuba, Che Guevara tornou-se membro do governo cubano de Fidel Castro, exercendo as funções de embaixador, presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria.

Em 1961, Che visitou o Brasil e foi condecorado, pelo então presidente Jânio Quadros, com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Che Guevara acreditava que a revolução socialista, contra o imperialismo comandado pelos Estados Unidos, deveria ser levada para outros países. Lutou no Congo (África) e depois foi para a Bolívia, onde estabeleceu uma base guerrilheira. Pretendia unificar os países da América Latina sob a bandeira do socialismo e invadir a Argentina.

Com pouco conhecimento do território e sem apoio dos camponeses e do partido comunista boliviano, sua luta tornou-se difícil. Foi capturado pelos soldados bolivianos, na selva de La Higuera (Bolívia), em 8 de outubro de 1967. No dia seguinte foi executado.

(FONTE: www.suapesquisa.com/biografias/che_guevara.htm)

A operação boliviana que culminou com a captura e morte de Che foi diretamente guiada pela CIA (http://paginavermelha.org/noticias/071029-che-guevara.htm). Apesar de o agente cubano da CIA responsável pela operação em La Higuera ter dito que preferia ter capturado Che vivo, e que a ordem para matá-lo veio do alto comando boliviano, a organização da repressão à guerrilha boliviana foi coordenada pela CIA.

A CIA até hoje é responsável por vários movimentos de insurgência em países para promover os interesses americanos. Aqueles protestos da Primavera Árabe, na Ucrânia, inclusive os protestos da direita no Brasil, foram financiados e impulsionados por organizações ligadas à CIA (https://jornalggn.com.br/brasilianas/da-primavera-arabe-ao-brasil-como-os-eua-atuam-na-geopolitica). É o velho imperialismo dos EUA, querendo impor seus interesses ao mundo. O mesmo imperialismo que Che lutava contra.

Então nesse aniversário da morte de Che, vamos resgatar o legado desse revolucionário que deu a vida na luta para acabar com a opressão da elite contra o povo, a opressão dos impérios contra os países pobres. Opressão essa que em 50 anos permanece a mesma.

Escola sem Partido decidindo o que você pode pensar

Falando um pouco mais sobre o avanço conservador na sociedade, vamos tratar da questão do “Escola sem Partido”, movimento que está ganhando força nos últimos tempos como parte do avanço das forças conservadoras na sociedade brasileira.

É engraçado notar que o principal foco deles não é o combate a uma suposta doutrinação de esquerda em relação à promoção de ideias da esquerda econômica (socialismo, social-democracia), embora isso também seja parte do programa deles. Mas o principal inimigo é o que chamam de “Marxismo Cultural”: as ideias de esquerda e progressistas nos campos sociais e de costumes.

Isso tudo faz parte da “contra-reforma” da direita, buscando lutar contra os poucos avanços conquistados nos últimos tempos. Conquistas por exemplo em relação à luta pelo fim do racismo, pelo respeito às pessoas LGBT, às diferentes religiões e diferentes modos de viver, que não se encaixam no padrão definido como “correto” pelos setores obscurantistas que lutam para regredir a sociedade à época em que todos viviam de acordo com scripts pré-determinados e quem fugisse deles era perseguido, inclusive com aval do Estado. (http://www.esquerdadiario.com.br/As-religioes-afro-brasileiras-o-racismo-e-as-opressoes-de-genero-e-sexualidade   http://memoriasdaditadura.org.br/lgbt/index.html)

Segundo o projeto do Escola sem Partido, o professor ficaria impedido também de colocar seu posicionamento em relação a qualquer assunto abordado em sala de aula, devendo ser completamente imparcial no ensino dos conteúdos. Qualquer pessoa que já estudou algo sobre epistemologia (estudo do fazer científico – https://pt.wikipedia.org/wiki/Epistemologia) sabe que a ciência, mesmo o ramo mais exato dela, não é imparcial (nas humanas então, nem se fala). Em qualquer área do conhecimento, os posicionamentos individuais dos pesquisadores se reflete na produção do saber. Isso também ocorre na transmissão do saber, sendo impossível um professor,também este um estudioso da sua área de conhecimento, ser imparcial no ensino.

O estranho é que essa preocupação com imparcialidade só se aplica em relação ao pensamento de esquerda, pois quando se trata, por exemplo, da defesa do ensino religioso, os mesmos setores que apoiam o Escola sem Partido, apoiam também essa excrecência. Recentemente foi aprovado pelo STF o ensino religioso confessional (https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/de-togas-ternos-e-batinas-a-presenca-religiosa-na-educacao-publica), ou seja, se antes este deveria ser ministrado de forma a apresentar ao estudante o pensamento das diversas religiões, sem que o professor pudesse defender os preceitos da sua própria, agora está liberado que quem ministre aulas de ensino religioso “puxe a sardinha” para a sua religião, na prática instituindo a catequese nas escolas.

Na verdade, não há nada de estranho nisso tudo: todas essas iniciativas fazem parte de um mesmo projeto de sociedade, o projeto conservador obscurantista, ligado aos setores mais retrógrados das religiões majoritárias, que buscam impor seus valores para todo o conjunto da sociedade.

Uma das frentes da guerra para realizar esse projeto é a educação, pois eles sim buscam doutrinar os jovens na sua ideologia, sabendo que estes são mais fáceis de manipular. Enquanto aos adultos eles buscam forçar suas regras através de leis cada vez mais restritivas das liberdades individuais.

A educação deve ser pensada tendo como meta além de transmissão de conteúdos, a formação do senso crítico dos estudantes. Eles devem ser estimulados a refletir a sociedade em que vivem, para inclusive lutarem para mudar aquilo que virem como ruim. E o senso crítico se desenvolve com debates em sala de aula sobre os temas mais diversos, em que o posicionamento do professor irá sim aparecer, mas não será imposto aos alunos, pois o profissional saberá estar aberto às opiniões contrárias e desenvolver o debate de forma respeitosa a todos envolvidos. É claro que alguns professores passam do ponto e realmente buscam doutrinar seus alunos (não só para a esquerda, mais comum talvez seja a doutrinação religiosa). Para estes deve haver orientação por parte dos gestores da escola e supervisores de ensino, que são os profissionais qualificados para orientar o trabalho do professor, por serem eles mesmos professores experientes e também necessariamente formados em pedagogia. Mas o que se vê hoje são pessoas sem formação na área e sem nunca terem pisado numa sala de aula quererem dar pitaco no trabalho do professor. Comparem com um leigo querendo ensinar um médico a tratar seus pacientes, ou um arquiteto como construir uma casa. Não faz sentido.

O mesmo STF que declarou o Escola sem Partido inconstitucional foi quem permitiu o ensino religioso confessional. Não podemos esperar nada nem mesmo dos “guardiões da constituição”. E mesmo sem estarem amparados por nenhuma lei, os ativistas do ESP orientam maneiras de alunos e pais persiguirem e intimidarem os professores vistos como “doutrinadores”, acabando com os resquícios do respeito que os alunos ainda tinham com os educadores. Pois que autoridade terá um professor, num país em que um dos maiores desafios educacionais é a indisciplina dos estudantes, quando estes vêem um professor calado pelas “notificações extrajudiciais” (que não tem base na lei e podem ser tranquilamente ignoradas https://novaescola.org.br/conteudo/4951/como-responder-a-uma-notificacao-do-escola-sem-partido):

Reparem no item 21. O aluno está ciente, e seus colegas também estão cientes, que o professor não pode falar certas coisas por medo de ser processado. Imaginem que autoridade esse professor (e os outros professores) terá. Se o aluno estiver insatisfeito com o professor por qualquer motivo, bastará gravar um trecho de sua aula tirado de contexto, e ameaçar processá-lo por doutrinação.

E vê-se que o objetivo é exatamente criar esse estado de terror sobre os professores, quando eles mesmos destacam a “importância” do item 21, mesmo que os pais não tenham contado ao filho sobre a notificação. O propósito é que o professor sinta que cada palavra sua ali está sendo vigiada, e se policie para não dizer nada que possa ser visto como doutrinação, instituindo a censura nas escolas para melhor controlar o pensamento. Bem-vindo ao futuro! O Grande Irmão está observando você!

Arte, censura e cruzada conservadora

Todo mundo acompanhou nas últimas semanas a discussão sobre a censura a várias manifestações artísticas, começando naquela exposição sobre arte LGBT em Porto Alegre, e culminando com a polêmica em torno da performance do artista nu no MAM.

Muitos argumentam que deve sim haver censura, por conta do suposto conteúdo pedófilo de algumas obras na tal exposição, e pelo ataque a símbolos religiosos.

Eu pessoalmente sou contra o ataque a qualquer religião (inclusive religiões minoritárias, mas essas os conservadores não defendem). Mas nada justifica a censura à liberdade de expressão, principalmente à liberdade artística. O primeiro fundamento para haver uma sociedade livre é a possibilidade de todos podermos expressar nossos pensamentos e nossa criatividade artística sem limitações.

Lembrando também que vai no museu quem quer, vai no teatro assistir a peça do Jesus trans (https://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/justica-de-jundiai-proibe-peca-teatral-que-traz-jesus-como-mulher-transgenero.ghtml) quem quer. Quem não gosta, ou se sente ofendido tem a opção de não ver.

Quanto ao artista pelado do MAM, havia um aviso de nudez na porta da sala da exposição. Eu até acho que a mãe da criança errou ao levar a filha ali e incentivar ela a tocar no artista (no pé, não no pinto como alguns divulgaram), pois não é bom naturalizar para uma criança que ela pode ter contato com um homem nu, porque isso a deixa vulnerável à ação de pedófilos de verdade. Mas nem o artista nem o museu tem nenhuma culpa, já que havia o aviso de nudez e a mãe ainda assim decidiu entrar na sala com a a filha e a incentivar a interagir com o artista.

Nós temos que pensar qual é o verdadeiro motivo dessa cruzada contra a arte “degenerada” que começou agora. Será que tem a ver com a investida dos conservadores que lutam cada vez com mais violência para nos levar de volta para a Idade Média defendendo seus valores de “família, moral e bons costumes”?

O deputado (In)Feliciano está agora com um projeto de lei para banir qualquer manisfestação artística que “profane símbolos
sagrados” (http://www.esquerdadiario.com.br/Marco-Feliciano-quer-proibir-arte-que-considere-profanadora). Esse projeto visa até mesmo a música, videogame e jogos de RPG. Pois é, se você é metaleiro que nem eu você está fudido. Vocês percebem o absurdo que seria se um projeto como esse fosse aprovado? Pastores e padres iriam determinar queo tipo de manifestação artística e intelectual que é permitida e a que não é. E já estaria instalada a tão sonhada teocracia deles.

A gente já vive em um sistema quase sem liberdade. O único reduto de liberdade que ainda temos é poder falar o que nós pensamos. Se isso também for tirado não nos restarão nem armas para lutar contra o sistema, pois a nossa voz será calada e nossas palavras não atigirão ninguém.

Bem vindos!

Eu estou começando este blog como um espaço para expor minhas ideias, e um espaço para interagir com pessoas que, pensando de forma parecida comigo ou não, possam somar na discussão.

Nesse blog serão abordados temas atuais, questões políticas, sociais, conspirações, e o que mais me der vontade. Sugestões dos leitores também são sempre bem-vindas.

Quem sou eu?

Nesse espaço eu sou A Mão Esquerda. Historicamente, enquanto o lado direito sempre foi associado com o que é considerado certo, com a ordem, com o status quo, a esquerda sempre foi associada com o caos, com a subversão, com o que ameaça a ordem vigente. A Mão Esquerda para mim é um símbolo da vontade de destruir todo o sistema que nos aprisiona. A esquerda não representa somente uma posição política associada ao socialismo. Ela é um símbolo de todo pensamento e ação subversivo contra o sistema de dominação que aprisiona nossas mentes e corpos desde o começo da história. Esse sistema por muitos é visto como a Matrix, sempre presente em tudo o que nós fazemos, sem nos darmos conta. A luta para sair da Matrix é difícil, e a pergunta é: você está disposto a lutar ou prefere tomar a pílula azul?