Arte, censura e cruzada conservadora

Todo mundo acompanhou nas últimas semanas a discussão sobre a censura a várias manifestações artísticas, começando naquela exposição sobre arte LGBT em Porto Alegre, e culminando com a polêmica em torno da performance do artista nu no MAM.

Muitos argumentam que deve sim haver censura, por conta do suposto conteúdo pedófilo de algumas obras na tal exposição, e pelo ataque a símbolos religiosos.

Eu pessoalmente sou contra o ataque a qualquer religião (inclusive religiões minoritárias, mas essas os conservadores não defendem). Mas nada justifica a censura à liberdade de expressão, principalmente à liberdade artística. O primeiro fundamento para haver uma sociedade livre é a possibilidade de todos podermos expressar nossos pensamentos e nossa criatividade artística sem limitações.

Lembrando também que vai no museu quem quer, vai no teatro assistir a peça do Jesus trans (https://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/justica-de-jundiai-proibe-peca-teatral-que-traz-jesus-como-mulher-transgenero.ghtml) quem quer. Quem não gosta, ou se sente ofendido tem a opção de não ver.

Quanto ao artista pelado do MAM, havia um aviso de nudez na porta da sala da exposição. Eu até acho que a mãe da criança errou ao levar a filha ali e incentivar ela a tocar no artista (no pé, não no pinto como alguns divulgaram), pois não é bom naturalizar para uma criança que ela pode ter contato com um homem nu, porque isso a deixa vulnerável à ação de pedófilos de verdade. Mas nem o artista nem o museu tem nenhuma culpa, já que havia o aviso de nudez e a mãe ainda assim decidiu entrar na sala com a a filha e a incentivar a interagir com o artista.

Nós temos que pensar qual é o verdadeiro motivo dessa cruzada contra a arte “degenerada” que começou agora. Será que tem a ver com a investida dos conservadores que lutam cada vez com mais violência para nos levar de volta para a Idade Média defendendo seus valores de “família, moral e bons costumes”?

O deputado (In)Feliciano está agora com um projeto de lei para banir qualquer manisfestação artística que “profane símbolos
sagrados” (http://www.esquerdadiario.com.br/Marco-Feliciano-quer-proibir-arte-que-considere-profanadora). Esse projeto visa até mesmo a música, videogame e jogos de RPG. Pois é, se você é metaleiro que nem eu você está fudido. Vocês percebem o absurdo que seria se um projeto como esse fosse aprovado? Pastores e padres iriam determinar queo tipo de manifestação artística e intelectual que é permitida e a que não é. E já estaria instalada a tão sonhada teocracia deles.

A gente já vive em um sistema quase sem liberdade. O único reduto de liberdade que ainda temos é poder falar o que nós pensamos. Se isso também for tirado não nos restarão nem armas para lutar contra o sistema, pois a nossa voz será calada e nossas palavras não atigirão ninguém.